Glaucoma: o que é, sintomas, fatores de risco e tratamento

Por Dr. José Carlos Delfino — Médico atuante em oftalmologia | Brasília, Asa Sul

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo — e o dado mais preocupante é que a maioria das pessoas só descobre ter a doença quando a visão já foi comprometida de forma permanente. Isso acontece porque, na fase inicial, o glaucoma praticamente não apresenta sintomas.

Neste artigo, explico o que é o glaucoma, como ele se desenvolve, quais sinais merecem atenção e por que o acompanhamento regular com um médico que atue em oftalmologia é fundamental para preservar sua visão.

O que é glaucoma?

O glaucoma é uma doença ocular caracterizada pelo dano progressivo ao nervo óptico — a estrutura responsável por transmitir as informações visuais do olho ao cérebro. Na maioria dos casos, esse dano está associado ao aumento da pressão intraocular, que comprime e deteriora as fibras nervosas ao longo do tempo.

Uma vez danificadas, essas fibras não se regeneram. Por isso, o glaucoma é considerado uma doença silenciosa e progressiva: o paciente vai perdendo campo visual de forma gradual, geralmente pelas bordas, sem perceber — até que a perda central compromete a visão de frente.

Quais são os tipos de glaucoma?

Existem diferentes formas da doença, sendo as mais comuns:

Glaucoma de ângulo aberto

É o tipo mais frequente. O aumento da pressão ocular acontece de forma lenta e silenciosa. Não causa dor e raramente gera sintomas perceptíveis nas fases iniciais — daí o apelido de “ladrão silencioso da visão”.

Glaucoma de ângulo fechado

Menos comum, mas pode se manifestar de forma aguda, com dor intensa nos olhos, visão turva, vermelhidão, náusea e halos coloridos ao redor das luzes. É uma emergência oftalmológica que exige atendimento imediato.

Glaucoma de pressão normal

Nessa forma, o dano ao nervo óptico ocorre mesmo com a pressão ocular dentro dos valores considerados normais. Reforça a importância de avaliar não apenas a pressão, mas o nervo óptico em si.

Quais são os sinais de alerta do glaucoma?

Na maioria dos casos, o glaucoma de ângulo aberto não apresenta sintomas precoces. Quando surgem, a doença já costuma estar em estágio avançado. Fique atento a:

  • Perda gradual da visão periférica (lateral)
  • Sensação de visão em túnel nas fases mais avançadas
  • Dor ocular intensa e súbita (sinal de crise aguda — procure atendimento imediato)
  • Halos coloridos ao redor de luzes
  • Visão turva e vermelhidão nos olhos
  • Dores de cabeça frequentes associadas a desconforto visual

Se você ou alguém próximo apresenta qualquer um desses sinais, especialmente a dor ocular aguda, busque avaliação com urgência.

Quem tem mais risco de desenvolver glaucoma?

Algumas condições aumentam a probabilidade de desenvolver a doença. Os principais fatores de risco são:

  • Histórico familiar de glaucoma (especialmente em pais ou irmãos)
  • Pressão intraocular elevada
  • Idade acima de 40 anos
  • Miopia elevada
  • Uso prolongado de corticosteroides (colírios, sprays nasais ou comprimidos)
  • Doenças vasculares como hipertensão e diabetes
  • Lesão ou cirurgia ocular anterior

Ter um ou mais desses fatores não significa que você terá glaucoma — mas aumenta a importância de fazer consultas oftalmológicas regulares para monitoramento.

Como é feito o diagnóstico do glaucoma?

O diagnóstico do glaucoma não se resume a medir a pressão ocular. Envolve um conjunto de avaliações que permitem identificar a doença com precisão e acompanhar sua evolução. Os principais exames incluem:

  • Tonometria: medição da pressão intraocular
  • Fundoscopia: avaliação direta do nervo óptico
  • Campimetria computadorizada: mapeamento do campo visual
  • Tomografia de coerência óptica (OCT): análise detalhada das fibras do nervo óptico e da retina
  • Paquimetria: medição da espessura da córnea, que influencia a interpretação da pressão

Esses exames, realizados em consulta, permitem detectar o glaucoma antes que a perda visual se torne perceptível — o que faz toda a diferença no resultado do tratamento.

Glaucoma tem tratamento?

Sim. Embora a visão já perdida não possa ser recuperada, o tratamento do glaucoma tem como objetivo estabilizar a doença e impedir que o dano ao nervo óptico avance. Com acompanhamento adequado, é possível preservar a qualidade de vida e a visão funcional por muitos anos.

Colírios

O tratamento mais comum é o uso de colírios que reduzem a pressão intraocular. É fundamental usá-los corretamente e de forma contínua — interromper o uso sem orientação médica pode acelerar a progressão da doença.

Laser

Em alguns casos, procedimentos a laser podem ser indicados para melhorar o escoamento do humor aquoso e reduzir a pressão ocular. São realizados em consultório e têm boa tolerância pela maioria dos pacientes.

Cirurgia

Quando o glaucoma não é controlado com colírios ou laser, a cirurgia pode ser necessária para criar novas vias de drenagem do humor aquoso. A indicação e a escolha da técnica são feitas individualmente, com base na situação clínica de cada paciente.

Glaucoma tem cura?

O glaucoma não tem cura no sentido de reversão completa — mas tem controle. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível estabilizar a doença e manter a visão preservada por décadas. O segredo está justamente em não esperar pelos sintomas: quando a perda visual é percebida, parte do nervo óptico já foi comprometida de forma permanente.

Por que o diagnóstico precoce é tão importante?

O glaucoma avança de forma silenciosa. Muitas pessoas convivem com a doença por anos sem saber — e só percebem a perda visual quando ela já é significativa. A consulta oftalmológica regular, com avaliação do nervo óptico e da pressão ocular, é a única forma de identificar o glaucoma antes que ele cause danos irreversíveis.

Se você tem mais de 40 anos, histórico familiar de glaucoma ou qualquer outro fator de risco, não adie sua avaliação.

Conteúdo estritamente educativo e informativo, conforme Resolução CFM 2336/2023. Não constitui diagnóstico, prescrição ou promessa de resultado. Cada caso deve ser avaliado individualmente em consulta médica.


Preocupado com a sua pressão ocular ou visão?

O glaucoma não avisa antes de agir. A única forma de detectá-lo cedo é com uma avaliação oftalmológica completa, que inclui medição da pressão ocular e análise do nervo óptico. Agende sua consulta e proteja sua visão.

Dr. José Carlos Delfino — Médico atuante em oftalmologia
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