Lentes de contato: tipos, indicações e cuidados para uso seguro

Por Dr. José Carlos Delfino — Médico atuante em oftalmologia | Brasília, Asa Sul

As lentes de contato são uma alternativa prática e eficaz para a correção visual — mas o uso seguro depende de orientação adequada, adaptação correta e cuidados de higiene que muita gente subestima. Usadas de forma incorreta, podem causar desde desconforto até infecções oculares graves.

Neste artigo, explico os principais tipos de lentes de contato, quem pode usar, como é feita a adaptação e quais cuidados são indispensáveis para proteger a saúde dos seus olhos.

O que são lentes de contato e para que servem?

As lentes de contato são dispositivos ópticos colocados diretamente sobre a córnea para corrigir erros de refração como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia. Diferentemente dos óculos, elas acompanham o movimento dos olhos e oferecem um campo visual mais amplo e natural.

Além da correção visual, as lentes de contato têm indicações terapêuticas — como no caso do ceratocone — e cosméticas. Em todos os casos, a adaptação deve ser feita por um médico que atue em oftalmologia, com exame ocular completo e prescrição individualizada.

Quais são os tipos de lentes de contato?

Lentes gelatinosas (hidrófilas)

São as mais usadas no mundo. Feitas de material flexível com alto teor de água, oferecem conforto desde o primeiro uso. Disponíveis em versões descartáveis diárias, quinzenais ou mensais. Indicadas para miopia, hipermetropia e alguns tipos de astigmatismo.

Lentes de silicone hidrogel

Evoluição das lentes gelatinosas, permitem maior passagem de oxigênio para a córnea — o que reduz o risco de complicações relacionadas à hipóxia corneana. São uma opção para quem usa lentes por muitas horas ao dia.

Lentes rígidas gás-permeáveis

Feitas de material rígido mas permeável ao oxigênio, oferecem maior nitidez visual do que as lentes gelatinosas. São a principal indicação para casos de ceratocone, astigmatismo irregular e situações em que a córnea tem irregularidades que as lentes flexíveis não compensam adequadamente. Exigem adaptação progressiva.

Lentes esclerais

Lentes rígidas de maior diâmetro que se apoiam na esclera (parte branca do olho) em vez da córnea. São indicadas em casos mais complexos, como ceratocone avançado, olho seco grave e irregularidades corneanas severas. Oferecem excelente qualidade visual e conforto nessas situações específicas.

Lentes cosméticas ou de cor

Alteram ou intensificam a cor dos olhos. Podem ou não ter grau. É fundamental que sejam prescritas e adaptadas por um médico — lentes coloridas adquiridas sem prescrição são uma causa comum de infecções e lesões oculares sérias.

Quem pode usar lentes de contato?

A maioria das pessoas que precisa de correção visual pode usar lentes de contato, mas a indicação depende de uma avaliação oftalmológica completa. Algumas condições podem limitar ou contraindicar o uso, como:

  • Olho seco moderado a grave
  • Blefarite (inflamação das pálpebras) não controlada
  • Alergias oculares severas
  • Infecções oculares ativas
  • Córnea muito irregular (em alguns casos, exige lente específica)

Crianças e adolescentes também podem usar lentes de contato, desde que haja maturidade para os cuidados de higiene e acompanhamento regular.

Como é feita a adaptação de lentes de contato?

A adaptação não se resume a medir o grau. O médico avalia a curvatura da córnea (ceratometria), a saúde da superfície ocular, a produção lacrimal e as necessidades visuais do paciente antes de indicar o tipo e o modelo ideal de lente.

Após a escolha da lente, é feito o treinamento para colocação e retirada, além de orientações detalhadas sobre higiene e cuidados. O retorno para avaliação da adaptação é parte essencial do processo — não pule essa etapa.

Cuidados essenciais para uso seguro

A maioria das complicações com lentes de contato é evitável com hábitos simples de higiene e uso responsável. Os principais cuidados são:

  • Lave as mãos antes de manipular as lentes
  • Nunca durma com as lentes, a menos que sejam especificamente indicadas para uso noturno pelo médico
  • Não use água da torneira para lavar ou armazenar as lentes — use sempre solução multipropósito ou soro fisiológico indicado
  • Respeite o prazo de troca indicado — lentes mensais usadas por mais tempo acumulam depósitos e aumentam o risco de infecção
  • Nunca compartilhe lentes, nem as cosméticas
  • Retire as lentes ao nadar, tomar banho ou praticar esportes aquáticos
  • Substitua o estojo das lentes regularmente e mantenha-o limpo e seco

Quando parar de usar as lentes e procurar um médico?

Retire as lentes imediatamente e busque avaliação se você apresentar:

  • Vermelhidão intensa nos olhos
  • Dor ou ardência que não melhora após retirar a lente
  • Visão turva que não volta ao normal
  • Secreção ou lacrimejamento excessivo
  • Sensação de corpo estranho persistente

Esses sinais podem indicar uma infecção ou abrasão corneana — condições que evoluem rapidamente e exigem tratamento precoce.

Lentes de contato e olho seco: o que fazer?

O olho seco é a queixa mais comum entre usuários de lentes de contato. O uso das lentes reduz a estabilidade do filme lacrimal, o que pode causar desconforto, ardência e visão flutuante ao longo do dia.

Em muitos casos, a troca de material ou de modalidade de uso resolve o problema. Em outros, o tratamento do olho seco precisa ser feito antes de retomar o uso das lentes. Não tente resolver sozinho — converse com o médico que fez sua adaptação.

Conteúdo estritamente educativo e informativo, conforme Resolução CFM 2336/2023. Não constitui diagnóstico, prescrição ou promessa de resultado. Cada caso deve ser avaliado individualmente em consulta médica.


Quer adaptar lentes de contato com segurança?

A adaptação correta começa com uma avaliação completa da saúde ocular. Agende sua consulta e descubra qual tipo de lente é mais indicado para o seu caso.

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