Ardência ao longo do dia, sensação de areia nos olhos ou aquele cansaço visual depois de horas em frente às telas do computador e do celular. Esses sinais são bastante comuns e podem indicar olho seco, uma condição que afeta pessoas de todas as idades e tende a se tornar ainda mais frequente com o uso constante de dispositivos eletrônicos.
Muita gente convive com esses sintomas por meses, atribuindo o desconforto ao cansaço ou à falta de sono, sem saber que existe uma explicação médica e formas de amenizar o problema.
Neste artigo, você vai entender o que é a síndrome do olho seco, quais sintomas merecem atenção, o que pode causar essa condição e como ela costuma ser tratada.
O que é a síndrome do olho seco?
A síndrome do olho seco é uma condição em que os olhos não produzem lágrimas em quantidade suficiente ou produzem lágrimas de qualidade inadequada para manter a superfície ocular bem lubrificada.
A lágrima não serve apenas para umedecer os olhos. Ela também tem função de proteção, nutrição e limpeza da superfície ocular. Quando esse equilíbrio é rompido, surgem irritação, desconforto e, em alguns casos, alterações na visão.
Trata-se de uma condição crônica na maioria dos casos, o que significa que costuma exigir cuidado contínuo, e não apenas uma solução pontual.
Quais são os sintomas do olho seco?
Os sintomas do olho seco variam de pessoa para pessoa, tanto em intensidade quanto em frequência. Os mais relatados incluem:
- Ardência ou sensação de queimação nos olhos
- Sensação de areia ou corpo estranho
- Vermelhidão ocular
- Olhos cansados, especialmente após uso de telas
- Sensibilidade à luz
- Visão embaçada que melhora ao piscar
- Lacrimejamento excessivo, que pode parecer contraditório, mas é uma resposta do olho à irritação
- Dificuldade para usar lentes de contato por longos períodos
Quando esses sintomas aparecem com frequência ou pioram progressivamente, vale buscar avaliação médica.
O que causa o olho seco?
As causas do olho seco costumam estar relacionadas a fatores que reduzem a produção de lágrima ou aumentam sua evaporação. Entre os principais estão:
Uso excessivo de telas. Ao olhar para computador, celular ou televisão por longos períodos, a frequência do piscar diminui, o que favorece a evaporação da lágrima e o ressecamento da superfície ocular.
Idade. A produção lacrimal tende a diminuir naturalmente com o passar dos anos, tornando o olho seco mais comum a partir da meia-idade.
Ambientes com ar-condicionado. Locais climatizados costumam ter o ar mais seco, o que acelera a evaporação da lágrima e intensifica os sintomas.
Uso de lentes de contato. O uso prolongado ou inadequado das lentes pode interferir na distribuição da lágrima sobre o olho.
Outros fatores também podem contribuir, como alterações hormonais, uso de determinados medicamentos, exposição a vento e poluição, e algumas condições de saúde associadas a doenças autoimunes.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do olho seco é feito em consulta, por meio da avaliação dos sintomas relatados pelo paciente e de exames oftalmológicos específicos, que ajudam a medir a quantidade e a qualidade da lágrima, além de avaliar a superfície ocular.
É importante não confundir os sintomas do olho seco com os de outras condições oculares, já que o tratamento adequado depende de um diagnóstico correto.
Olho seco tem tratamento?
Sim, o olho seco tem tratamento, e a abordagem costuma ser individualizada, considerando a causa e a intensidade dos sintomas de cada paciente.
Colírios lubrificantes
Os colírios lubrificantes, também chamados de lágrimas artificiais, são frequentemente indicados para repor a umidade da superfície ocular e aliviar o desconforto ao longo do dia.
Mudanças de hábito
Pequenos ajustes na rotina podem ajudar a reduzir os sintomas, como:
- Fazer pausas regulares durante o uso de telas
- Piscar com mais frequência de forma consciente
- Usar umidificadores em ambientes com ar-condicionado
- Manter uma boa higiene das pálpebras
- Adaptar corretamente o uso de lentes de contato conforme orientação médica
Tratamentos em consultório
Em casos que não respondem apenas às medidas acima, existem outras opções que podem ser avaliadas em consulta, sempre de acordo com a causa identificada e as características de cada paciente.
Olho seco tem cura?
O olho seco pode ser controlado na maior parte dos casos, com melhora significativa dos sintomas e da qualidade de vida do paciente. Como costuma ter causa crônica ou multifatorial, o acompanhamento contínuo é o que permite manter o quadro estável ao longo do tempo.
Cada caso responde de forma diferente ao tratamento, por isso a avaliação individual é essencial antes de definir qualquer conduta.
Quando procurar um médico
É recomendável procurar avaliação médica quando os sintomas de olho seco são frequentes, persistem por mais de alguns dias, interferem nas atividades do dia a dia ou vêm acompanhados de dor, vermelhidão intensa ou alteração na visão.
Buscar orientação profissional cedo ajuda a entender a causa do problema e a definir o cuidado mais adequado para cada situação.
Conteúdo estritamente educativo e informativo, conforme Resolução CFM 2336/2023. Não constitui diagnóstico, prescrição ou promessa de resultado. Cada caso deve ser avaliado individualmente em consulta médica.
Sentindo os sintomas de olho seco no dia a dia?
Se a ardência, o cansaço visual ou a sensação de areia nos olhos fazem parte da sua rotina, uma consulta pode ajudar a entender a causa e discutir as opções de cuidado mais indicadas para o seu caso.
Dr. José Carlos Delfino, médico atuante em Oftalmologia
Brasília, Asa Sul